ATOTÔ

Silêncio o Rei esta na terra


 

Partindo dos primórdios da criação do mundo na visão yourbá  o mundo é representando por uma imensa cabaça que partida ao meio se divide em dois mundos, o Orum ( mundo invisível o Céu) e o Aiyê (o mundo visível  a Terra) assim sendo as divindades que antes viviam apenas no Orum com a permissão  de Olorum o  Deus supremo, descem ao Aiyê com a incumbência de representar e zelar pelas forças da natureza, Exu a Comunicação, Oxum a própria Agua, Iyemanjá o Mar, Iansã o Vento, Xangô o Fogo , Ogum o Ferro, e assim por diante cada divindade africana com sua atribuição onde Oxalá teve a principal missão que foi dar a vida ao ser humano,  além de moldar os corpos e as cabeças com a Lama (barro) de Nanã ,Oxalá ficou com a responsabilidade de insuflar o sopro da vida nesses bonecos de barro que tornam-se seres humanos e chegam ao Aiye através do Útero materno. No meio dessas responsabilidades não podemos de destacar aqui  OBALUAIYÊ (O Rei dono da terra) tambem conhecido como Omolu e Xapanã.  Vindo do Daomé é o dono do elemento terra, senhor  da doença e da Cura o qual o saudamos dizendo ATOTÔ  que significa SILENCIO 

Silenciamos diante da divina presença deste orixá cheio de mistérios, mas às vezes refletindo sobre as coisas mais simples encontramos as mais belas lições.

 Conta uma lenda que Obaluaiyê era um orixá rejeitado por sua aparência, que se fazia repugnante aos olhos dos outros orixás, devido as chagas que ele exibia em seu corpo.Ogum, ao saber que Xangô daria uma festa, mas Obaluaê só veria a festa de longe, pela fresta da porta, se compadece dele e lhe cobre com palhas.Ele entra na festa, e mesmo tendo as chagas cobertas fica afastado, envergonhado.Iansã se aproxima dele, dança a sua volta causando uma enorme ventania que levanta as palhas. Neste momento, as feridas se transformam e pipocas e enchem o salão.

Por debaixo das palhas, se revela um jovem e belo orixá – Obaluaiyê!

Quando Obaluaiyê saiu do salão, naquele dia, ele já não era mais o mesmo – houve uma transmutação, e transmutar é o verbo do Trono Masculino da Evolução, regido por ele.

Ele saiu da condição de doente para sadio, ele passou de um estado para outro.

Obaluaiyê é o orixá das passagens, seja de um plano para outro, de uma dimensão para a outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa.

Por que ele pede silêncio? Talvez porque seja o silêncio o segredo para que possamos encontrar o caminho que transmutará nossas consciências para níveis superiores de entendimento e conexão com Pai Olorum, nosso Divino Criador.

Como podemos representar uma divindade diante das pessoas, se o barulho da fofoca, do julgamento ou da maledicência nos distrai o tempo todo nos afastando das coisas divinas?

 Quantas pessoas precisam somente de alguém que veja além, e que sopre em suas feridas do corpo e da alma ventos de amor e tolerância, para que o melhor delas se revele?

Silencie. Ouça seu Cristo interno, seu Ori, sua Centelha. Use as palavras com sabedoria e cuidado, pois elas trazem em si a força do Verbo e podem tanto construir quanto destruir.

Procure no silêncio do seu coração as respostas para todas as suas perguntas, pois elas estão lá.

Silencie e olhe para dentro. Se cubra com suas próprias palhas e permita que um a um, seus medos e traumas, falsos julgamentos, dúvidas e incertezas se transformem em lindas pipocas. E que essas pipocas encham o salão da sua alma.

Obaluaê se resignou diante da sua condição, foi humilde e foi amparado pelo Trono da Lei, por Ogum e Iansã.

Assim como prometeu Jesus, o humilde foi exaltado!

Agindo assim, ele também mostrou que precisamos uns dos outros. Ogum o protegeu com as palhas. Iansã revelou sua beleza e esplendor.

Assim somos nós. Toda alma é divina, toda alma é luz, toda alma reflete o amor e a grandeza do Criador.

E todos nós, seja qual for a raça, gênero, aparência ou condição social precisamos lembrar de quem realmente somos e de onde viemos, para evoluirmos e transmutarmos dentro de nós tudo o que impede que isso aconteça.

 

E na atual situação a qual nos encontramos homenageamos Obaluaiyê o sr dono da terra para que nesses tempos difíceis  ele   ampare nossa evolução. Sairmos dessa encarnação seres humanos melhores do que quando nascemos é nosso objetivo.

Buscar a cura afim de arrancarmos a mascara do medo e encontrarmos a vacina do bem , esse é o Lema

Expandir nossas consciências e alcançar um entendimento maior acerca das leis que regem nossas evoluções é a melhor forma de fazer valer a maravilhosa oportunidade de estar aqui,ATOTO!

E através do silencio abrimos os ouvidos para o som dos violinos, violancelos, atabaques e xequerês que farão surgir nesta performance a fascinante figura de Obaluyiê que paramentado de suas palhas fazerse-a presente através da dança , dos corpos negros , da musica e da contação de historia , seguido de atrizes, atores, dançarinos e músicos reunidos pela arte numa mesma intenção  “ A Cura de nossas almas que sofrem com esta pandemia”

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